O autismo é o termo popular para se referir ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Consiste em uma condição do neurodesenvolvimento presente desde o nascimento ou começo da infância.
Também influencia a forma como a pessoa percebe, processa e interage com o mundo ao seu redor. Essas características podem se manifestar de maneiras muito distintas em cada indivíduo, o que reforça a importância do termo “espectro” para representar essa ampla diversidade.
Neste guia completo, você aprenderá sobre o autismo. Explicaremos o que é, quais são os principais sintomas e os níveis de suporte. Também falaremos sobre as causas conhecidas e como é feito o diagnóstico. Você verá quais intervenções são recomendadas e como oferecer apoio com empatia e respeito.
O que é o autismo?
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica presente ao longo de toda a vida. Não se trata de uma doença e, portanto, não possui cura. No entanto, com intervenções adequadas e apoio contínuo, é possível desenvolver habilidades, ampliar a autonomia e a independência, além de promover uma melhor qualidade de vida.
Segundo o DSM-5-TR, o diagnóstico de autismo se baseia em dois critérios principais:
- Dificuldades persistentes na comunicação e interação social;
- Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
A intensidade e a combinação desses sintomas variam muito, o que faz com que cada pessoa autista seja única. É por isso que se fala em “espectro” — uma grande diversidade de manifestações, necessidades e potenciais.
Além disso, os sinais devem estar presentes desde o início do desenvolvimento (mesmo que se tornem mais evidentes em fases posteriores), causar prejuízos clinicamente significativos na vida da pessoa e não serem melhor explicados por outras condições, como deficiência intelectual isolada.
Quais são os principais sintomas do autismo?
Os sinais do autismo geralmente aparecem antes dos três anos de idade, mas também podem ser identificados mais tarde, especialmente em casos leves.
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Comunicação
- Atraso no desenvolvimento da linguagem verbal;
- Dificuldade para iniciar ou manter uma conversa;
- Uso limitado de gestos, expressões faciais e contato visual;
- Ecolalia (repetição de palavras ou frases ouvidas).
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Interação social
- Pouco interesse em interações com outras pessoas;
- Dificuldade em compreender regras sociais implícitas;
- Falta de resposta a demonstrações afetivas;
- Preferência por atividades solitárias.
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Comportamentos repetitivos
- Movimentos repetitivos (como balançar as mãos ou o corpo);
- Interesse intenso e focado por temas específicos;
- Apego a rotinas e resistência a mudanças;
- Sensibilidade sensorial (a sons, luzes, cheiros ou texturas).
Nem todas as pessoas autistas apresentam os mesmos sinais ou necessidades. Algumas podem ter linguagem fluente e facilidade em certas áreas, enquanto encontram desafios em outras. Outras podem precisar de apoio mais frequente nas atividades do dia a dia. O espectro é diverso, e cada pessoa vivencia o autismo de forma individual.
Tipos de autismo: ainda é possível classificá-los?
Até alguns anos atrás, os diagnósticos de autismo eram divididos em diferentes categorias, como:
- Autismo clássico ou infantil;
- Síndrome de Asperger;
- Transtorno desintegrativo da infância;
- Transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação (PDD-NOS).
Com a chegada do DSM-5, todas essas variações foram reunidas sob o termo único: Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ou seja, hoje falamos em níveis de suporte (1, 2 e 3), ao invés de “tipos”.
Ainda assim, você pode ouvir referências antigas como “autismo leve” ou “síndrome de Asperger”. Essas expressões persistem no uso popular, mas já não fazem parte da classificação oficial.
Quais são os níveis de autismo?
O DSM-5 não utiliza mais as classificações “leve”, “moderado” ou “severo”. Em vez disso, define três níveis de suporte necessários para lidar com os desafios do TEA:
- Nível 1 – Requer apoio: dificuldades leves, mas visíveis, em interações sociais e comportamentos inflexíveis.
- Nível 2 – Requer apoio substancial: dificuldades mais acentuadas na comunicação e comportamentos repetitivos que interferem no cotidiano.
- Nível 3 – Requer apoio muito substancial: desafios graves em todas as áreas, com pouca ou nenhuma linguagem funcional.
Importante: o nível de suporte pode mudar ao longo da vida e não define o valor ou o potencial da pessoa.
Saiba mais sobre níveis de autismo.
Quais são as causas do autismo?
Não há uma causa única. Pesquisas apontam para uma combinação de fatores genéticos e ambientais, como:
- Alterações em genes relacionados ao desenvolvimento neurológico;
- Idade avançada dos pais no momento da gestação;
- Complicações durante a gravidez ou parto.
Como é feito o diagnóstico do TEA?
O diagnóstico é clínico, realizado por profissionais de saúde especializados (neurologistas, psiquiatras, psicólogos). Inclui:
- Entrevistas com pais ou cuidadores;
- Observação direta do comportamento;
- Aplicação de instrumentos padronizados (ex: ADOS, CARS, M-CHAT).
Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as chances de desenvolver estratégias de suporte individualizadas e eficazes.
Quais são os tratamentos e intervenções?
O TEA não tem cura, mas intervenções baseadas em evidências científicas, especialmente na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), podem promover avanços significativos no desenvolvimento da pessoa autista. As abordagens mais recomendadas incluem:
- ABA (Análise do Comportamento Aplicada): ciência comportamental utilizada para desenvolver habilidades funcionais, promover autonomia e independência, alem de minimizar as barreiras de aprendizagem;
- Fonoaudiologia: estimula a comunicação verbal e não verbal, fortalecendo a interação social;
- Terapia Ocupacional: atua na integração sensorial, habilidades motoras e independência/autonomia nas atividades básicas e instrumentais de vida diária;
- Psicoterapia: apoia o desenvolvimento emocional e social, contribuindo para o bem-estar integral;
- Orientação parental: oferece suporte para que famílias implementem rotinas estruturadas e acolhedoras, fundamentais para o progresso.
Esses são apenas alguns exemplos das áreas e abordagens que integram o cuidado interdisciplinar, mas é importante destacar que a atuação desses profissionais vai muito além do mencionado, sempre pautadas na avaliação prévia e adaptadas às necessidades específicas de cada indivíduo, respeitando sua individualidade.
O acompanhamento deve ser interdisciplinar, individualizado e continuamente ajustado às necessidades específicas de cada pessoa.
O que são comorbidades no TEA?
É comum que pessoas com autismo apresentem condições associadas, como:
- TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade);
- Ansiedade;
- Depressão;
- Distúrbios do sono;
- Epilepsia;
- Déficit intelectual.
Essas comorbidades exigem atenção profissional especializada para garantir um cuidado completo e individualizado.
Quantas pessoas têm autismo?
Estudos do CDC (EUA) estimam que 1 em cada 31 crianças está no espectro autista. No Brasil, estima-se que existam cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, mas ainda não há dados oficiais precisos.
Com o aumento do conhecimento e da conscientização, mais diagnósticos estão sendo realizados — inclusive na vida adulta.
A promoção de um ambiente inclusivo e respeitoso é fundamental para o bem-estar e desenvolvimento das pessoas autistas. Algumas práticas baseadas em evidências e recomendações clínicas que favorecem esse suporte incluem:
- Respeitar o ritmo e a forma de comunicação: reconhecer e adaptar-se às formas e tempos próprios de comunicação, sejam elas orais, não orais ou por sistemas aumentativos e alternativos de comunicação (CAA);
- Evitar imposições de interações sociais: respeitar a individualidade da pessoa, porque obrigar a conversar ou se aproximar pode causar ansiedade e desconforto. Uma dica é valorizar e elogiar quando ela se sentir à vontade para conversar ou se aproximar;
- Adaptar o ambiente para minimizar sobrecargas e favorecer a funcionalidade:
A adaptação ambiental deve ser compreendida de forma ampla, considerando não apenas a redução de estímulos sensoriais aversivos, como ruídos excessivos, luzes intensas, texturas ou cheiros desconfortáveis, mas também a organização do espaço físico, a rotina, os recursos disponíveis e o uso de tecnologias assistivas. Ambientes estruturados e previsíveis auxiliam na redução da ansiedade e promovem maior independência. Além disso, a incorporação de dispositivos e ferramentas adaptativas, como sistemas aumentativos e alternativos de comunicação (CAA), recursos visuais, aplicativos e tecnologias específicas, pode ampliar a autonomia/independência e facilitar o engajamento nas atividades diárias; - Valorizar e integrar os interesses e pontos fortes individuais: utilizar os interesses específicos como recursos motivacionais para aprendizagem e socialização, promovendo a autoestima e engajamento;
Essas dicas constituem em bases para a construção de um suporte eficaz, individualizado e centrado na pessoa, fundamentais para a inclusão social, qualidade de vida e desenvolvimento funcional.
A empatia transforma relações e abre caminhos para uma convivência mais justa, humana e diversa.
O autismo não define uma limitação — define uma forma diferente de ser. Com compreensão, apoio e intervenções adequadas, cada pessoa autista pode se desenvolver, se comunicar, se relacionar e viver com dignidade.
Quanto mais cedo o TEA for reconhecido, mais eficaz será o suporte. Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento de uma criança ou adulto, procure profissionais especializados e busque informações de qualidade.
QUer se aprofundar mais neste tema? Acesse nosso texto sobre símbolos do autismo!
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Fontes: