Risperidona e Autismo

Risperidona e Autismo

O uso de medicamentos no contexto do Transtorno do Espectro Autista (TEA) costuma gerar muitas dúvidas em famílias e cuidadores. Entre os fármacos mais pesquisados está a risperidona, frequentemente associada ao manejo de comportamentos interferentes.

Antes de tudo, é essencial esclarecer: a risperidona não trata o autismo em si. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, não uma doença, e não possui cura medicamentosa. O papel do medicamento, quando indicado, é auxiliar no manejo de sintomas específicos que podem comprometer a qualidade de vida, a segurança e a participação da pessoa em contextos terapêuticos, familiares e sociais.

O que é a risperidona?

A risperidona é um medicamento da classe dos antipsicóticos atípicos. No contexto do autismo, ela pode ser prescrita para reduzir sintomas como irritabilidade intensa, agressividade, comportamentos autolesivos e explosões emocionais graves, quando esses quadros causam prejuízos significativos ao desenvolvimento ou colocam a pessoa em risco.

Seu uso é sempre avaliado e prescrito por médico, geralmente psiquiatra ou neurologista, com acompanhamento contínuo.

Para quais sintomas a risperidona pode ser considerada no autismo?

Em alguns casos, especialmente quando intervenções terapêuticas isoladas não são suficientes naquele momento, a risperidona pode ser considerada para ajudar a reduzir:

  • irritabilidade severa e persistente;
  • agressividade direcionada a outras pessoas;
  • comportamentos autolesivos;
  • crises comportamentais intensas e frequentes;
  • impulsividade grave associada à dificuldade de regulação emocional.

 

É importante reforçar que o medicamento não ensina habilidades, não desenvolve comunicação e não substitui intervenções terapêuticas baseadas em evidências.

Risperidona não é tratamento principal do autismo

O tratamento do autismo é centrado no desenvolvimento de habilidades, na comunicação funcional, na autorregulação, na autonomia, independencia e na participação social.
Medicamentos como a risperidona, quando usados, têm caráter adjuvante.

Ou seja, eles podem ajudar a reduzir barreiras comportamentais momentâneas para que a pessoa consiga se beneficiar melhor das terapias, como:

  • psicologia com abordagem comportamental, como a ABA
  • fonoaudiologia;
  • terapia ocupacional;
  • fisioterapia, entre outras. 

 

Sem esse trabalho terapêutico estruturado, o uso isolado do medicamento tende a ter efeito limitado no desenvolvimento global.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Como qualquer medicamento, a risperidona pode causar efeitos adversos, que variam de pessoa para pessoa. Entre os mais observados estão:

  • ganho de peso;
  • sonolência ou sedação excessiva;
  • aumento do apetite;
  • alterações metabólicas;
  • alterações hormonais;
  • redução da disposição física.

 

Por esse motivo, o acompanhamento médico regular é indispensável, com avaliação constante da necessidade de manter, ajustar ou suspender o uso.

A risperidona dá sono?

Sim, a risperidona pode causar sonolência em algumas pessoas.
Esse efeito ocorre porque o medicamento atua em receptores do sistema nervoso central, podendo provocar sedação, especialmente no início do uso ou após ajustes de dose.

Em pessoas com autismo, a sonolência pode se manifestar como:

  • cansaço excessivo durante o dia;
  • redução da disposição para brincar, estudar ou interagir;
  • maior necessidade de sono;
  • dificuldade de manter atenção nas atividades terapêuticas.

 

Por isso, quando a sonolência é intensa ou persistente, é fundamental comunicar o médico responsável. Ajustes de dose, horário de administração ou até reavaliação da medicação podem ser necessários para evitar prejuízos ao desenvolvimento e à participação nas terapias.

Por quanto tempo a risperidona pode ser usada?

Não existe um tempo padrão. A duração do uso depende de:

  • resposta clínica individual;
  • intensidade dos sintomas;
  • evolução do desenvolvimento;
  • efeitos colaterais observados;
  • progresso nas intervenções terapêuticas.

 

Em muitos casos, o objetivo clínico é uso temporário, com reavaliações frequentes, sempre buscando reduzir ou retirar o medicamento quando houver condições seguras para isso.

A importância do acompanhamento interdisciplinar

Quando há indicação de risperidona, o cuidado deve ser integrado. Médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e demais profissionais precisam atuar de forma alinhada, observando:

  • mudanças no comportamento;
  • impacto no aprendizado e na comunicação;
  • ganhos ou prejuízos na autonomia;
  • possíveis efeitos adversos.

 

Essa visão ampla evita que o medicamento seja visto como solução isolada e garante um cuidado mais ético e eficaz.

Conclusão

A risperidona pode ser uma ferramenta útil em contextos específicos, quando sintomas associados ao autismo comprometem significativamente a qualidade de vida ou a segurança da pessoa.
No entanto, ela não trata o autismo, não substitui intervenções terapêuticas e deve sempre ser usada com critério, acompanhamento médico e integração com o cuidado clínico e educacional.

O foco do tratamento do autismo continua sendo o desenvolvimento de habilidades, a autonomia / independência e a qualidade de vida respeitando o perfil e o contexto de cada pessoa.

Perguntas Frequentes

Não. O autismo não tem cura. A risperidona pode auxiliar no manejo de alguns sintomas associados, mas não altera a condição em si.

Não. O uso é indicado apenas em casos específicos, após avaliação médica criteriosa.

Não. Ela não substitui nenhuma intervenção terapêutica. Pode, em alguns casos, facilitar o engajamento nas terapias.

Sim, em muitos casos. A suspensão ou redução deve ser feita apenas sob orientação médica, de forma gradual e segura.

Sim. Dependendo do perfil clínico, o médico pode avaliar outras abordagens farmacológicas ou ajustes no plano terapêutico interdisciplinar.

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