Durante muitos anos, os termos Síndrome de Asperger e autismo foram usados como diagnósticos distintos, o que ainda hoje gera dúvidas em famílias, educadores e até em profissionais de outras áreas. Afinal, Asperger é autismo ou não?
A resposta curta é: sim, Asperger faz parte do Transtorno do Espectro Autista.
Mas para compreender isso de forma correta, é importante entender o contexto histórico e científico dessa mudança.
O que era a Síndrome de Asperger?
A Síndrome de Asperger era utilizada para descrever pessoas que apresentavam características do espectro autista, especialmente:
- Dificuldades na interação social
- Interesses restritos e intensos
- Padrões de comportamento repetitivos
- Rigidez cognitiva e dificuldades com mudanças
Ao mesmo tempo, essas pessoas não apresentavam atraso significativo na linguagem nem comprometimento intelectual. Muitas tinham inteligência dentro ou acima da média e desenvolvimento da fala considerado típico.
Por esse perfil, o diagnóstico de Asperger ficou popularmente associado à ideia de um “autismo leve”; termo que hoje sabemos não ser adequado.
O que mudou: Asperger e o conceito de espectro
Com o avanço das pesquisas em neurodesenvolvimento, ficou claro que o autismo não é uma condição única e uniforme, mas um espectro amplo, com diferentes perfis, habilidades e níveis de suporte.
Diante disso, os manuais diagnósticos mais recentes passaram a adotar uma classificação única: Transtorno do Espectro Autista (TEA), reunindo diferentes apresentações que antes eram separadas em categorias, como:
- Autismo infantil
- Transtorno invasivo do desenvolvimento
- Síndrome de Asperger
Hoje, todas essas condições são compreendidas como variações dentro do mesmo espectro.
Asperger ainda existe como diagnóstico?
Do ponto de vista clínico e diagnóstico, não.
O termo Síndrome de Asperger deixou de ser utilizado como diagnóstico formal. As pessoas que antes receberiam esse diagnóstico hoje são enquadradas como Transtorno do Espectro Autista, geralmente associado a menores necessidades de suporte em alguns domínios, especialmente comunicação social e autonomia/independência, o que não exclui desafios significativos em outros contextos.
Isso não significa que o perfil deixou de existir, significa apenas, que ele passou a ser compreendido dentro de uma abordagem mais ampla, dimensional e individualizada.
Asperger e autismo são a mesma coisa?
Sim, Asperger é autismo, contudo o termo não é mais usado oficialmente em manuais diagnósticos desde 2013.
A diferença está na forma como o autismo se manifesta, e não na presença ou ausência da condição.
Pessoas anteriormente diagnosticadas com Asperger:
- Estão no espectro autista
- Apresentam um perfil específico dentro do espectro
- Podem precisar de menos suporte em determinadas áreas
- Ainda assim enfrentam desafios reais na vida social, emocional e sensorial
O autismo não se define apenas por atraso de fala ou deficiência intelectual. Ele envolve diferenças na forma de perceber, se comunicar e interagir com o mundo.
Por que ainda se fala em Asperger?
Apesar de não ser mais um diagnóstico formal, o termo continua sendo usado por muitas pessoas, especialmente adultos que receberam esse diagnóstico antes da mudança nos critérios.
Para muitos, Asperger faz parte de sua identidade, de sua história e da forma como compreenderam suas próprias experiências ao longo da vida. O uso do termo, nesses casos, não é incorreto socialmente — apenas não é mais adotado clinicamente.
O mais importante: entender o perfil individual
Independentemente do nome, o ponto central é compreender que cada pessoa no espectro autista é única.
Algumas têm fala fluente, inteligência elevada e bom desempenho acadêmico ou profissional, mas ainda necessitam de suporte específico em aspectos sociais, emocionais, sensoriais e de flexibilidade cognitiva, por exemplo.
- Relações sociais
- Regulação emocional
- Flexibilidade cognitiva
- Processamento sensorial
Outras precisam de mais suporte em áreas básicas do desenvolvimento. Nenhuma dessas apresentações é “mais” ou “menos” autismo — são expressões diferentes de uma mesma condição neurobiológica.
Quer saber mais sobre o tema leia nosso texto: Síndrome de asperger: tudo o que você precisa saber!
Conclusão
Asperger e autismo não são condições diferentes.
A Síndrome de Asperger é hoje compreendida como parte do Transtorno do Espectro Autista.
A mudança na nomenclatura reflete um avanço científico importante: olhar para o autismo como um espectro diverso, contínuo e singular — e não como categorias rígidas.
Mais do que o nome, o que realmente importa é garantir compreensão, respeito, suporte adequado e oportunidades reais de desenvolvimento, de acordo com o perfil e as necessidades de cada pessoa.
Perguntas Frequentes
Asperger é um tipo de autismo?
Sim. Hoje, é considerado parte do Transtorno do Espectro Autista.
Quem tem Asperger é autista?
Sim. A pessoa está dentro do espectro autista, com um perfil específico.
Por que o termo Asperger não é mais usado oficialmente?
Porque a ciência passou a compreender o autismo como um espectro único, com diferentes níveis de suporte e manifestações.
Adultos ainda podem se identificar como Asperger?
Sim. O termo pode ser usado como identidade pessoal, embora não seja mais um diagnóstico clínico.



