Autismo vem do pai ou da mãe?

Autismo vem do pai ou da mãe?

Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma das perguntas mais frequentes entre pais e familiares é: 

“O autismo veio do pai ou da mãe?”

Essa dúvida é compreensível e muitas vezes vem acompanhada de culpa, insegurança e tentativas de encontrar uma causa única.
A ciência, no entanto, traz uma resposta clara e importante: o autismo não vem exclusivamente do pai nem da mãe.

O autismo é hereditário?

O autismo apresenta alta herdabilidade genética, mas não segue um padrão hereditário simples.

Isso significa que:

  • Não existe um “gene do autismo” isolado
  • O TEA resulta da combinação de múltiplos fatores genéticos, associados a fatores biológicos do desenvolvimento cerebral
  • Essas variações genéticas podem ser herdadas tanto do pai quanto da mãe

 

Na prática, o autismo não é transmitido por um único genitor.

Então, o autismo vem de quem?

O autismo pode envolver genes herdados de ambos os pais, além de variações genéticas que surgem espontaneamente.

A maioria dos estudos aponta que:

  • Parte dos fatores genéticos pode ser herdada da família materna
  • Parte pode vir da família paterna
  • Em muitos casos, surgem mutações novas, que não estavam presentes em gerações anteriores

ou seja, não existe um culpado.

O papel do pai e da mãe na genética do autismo

Pesquisas em genética do neurodesenvolvimento mostram que:

  • Algumas variações genéticas associadas ao autismo podem estar presentes em pais que não são autistas, mas carregam traços subclínicos
  • Esses traços podem se combinar na criança, aumentando a probabilidade de manifestações do espectro
  • Tanto homens quanto mulheres podem transmitir essas variações genéticas

 

Além disso, fatores relacionados à idade dos pais, especialmente idade paterna mais avançada, têm sido associados a um risco levemente maior, mas isso não determina nem causa o autismo isoladamente.

Fatores ambientais causam autismo?

Não. É importante esclarecer um ponto fundamental:
vacinas, estilo parental, exposição a telas, frieza emocional ou “falta de vínculo” NÃO causam autismo.

O que a ciência aponta é que:

  • O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento
  • Seu início ocorre ainda na formação do cérebro, durante a gestação
  • Fatores biológicos e genéticos interagem de maneira complexa

 

Fatores ambientais podem influenciar o desenvolvimento geral da criança, mas não são responsáveis por “gerar” o autismo.

Autismo é hereditário em todas as famílias?

Não necessariamente.

Algumas famílias têm mais de um membro no espectro, enquanto outras têm apenas um caso isolado. Isso acontece porque:

  • O conjunto genético envolvido é complexo
  • Nem toda variação genética se manifesta da mesma forma
  • Cada pessoa autista apresenta um perfil único dentro do espectro

 

Por isso, o autismo pode aparecer em famílias sem histórico conhecido e isso não significa erro, falha ou culpa de ninguém.

Existe exame genético para saber de quem veio o autismo?

Atualmente, não existe um exame que determine de qual genitor “veio” o autismo.

Testes genéticos podem:

  • Identificar síndromes genéticas associadas
  • Detectar algumas alterações cromossômicas
  • Auxiliar no entendimento clínico do caso

 

Mas o diagnóstico do autismo é clínico, baseado no desenvolvimento, comportamento e funcionalidade da pessoa e não apenas em genética.

O mais importante: tirar a culpa do centro da conversa

Uma das consequências mais nocivas desse questionamento é a culpa parental.

A ciência é clara:

  • O autismo não é causado por atitudes dos pais
  • Não é resultado de escolhas durante a gestação
  • Não vem “mais do pai” ou “mais da mãe”

O foco precisa estar em:

  • Compreender o perfil da pessoa
  • Oferecer suporte adequado
  • Promover desenvolvimento, autonomia, independência e qualidade de vida

Conclusão

O autismo não vem exclusivamente do pai nem da mãe.
Ele resulta de uma combinação complexa de fatores genéticos e biológicos, que se manifestam ainda no desenvolvimento cerebral inicial.

Buscar culpados não traz respostas, buscar compreensão, apoio e estratégias adequadas transforma trajetórias.

O conhecimento científico existe justamente para substituir culpa por informação, e medo por cuidado.

Perguntas Frequentes

Pode haver predisposição genética, mas não há garantia de repetição em todas as gerações.

Não necessariamente. O risco pode ser maior, mas não é determinante.

Não. Essa relação já foi amplamente descartada pela ciência.

Sim. Muitos casos não têm antecedentes conhecidos.

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